
Hozana Carneiro Ximenes, condenada em 2024 a sete anos e dez meses de reclusão, em regime semiaberto, voltou a ser presa durante uma operação da Polícia Civil do Amazonas (PC-AM), realizada em uma clínica estética localizada no bairro Flores, Zona Centro-Sul de Manaus.
De acordo com a Polícia Civil, a investigada já havia sido presa em março de 2022 após ser acusada de exercer ilegalmente a profissão de biomédica e realizar procedimentos estéticos sem habilitação profissional. Na ocasião, as investigações apontaram que ela possuía formação em Matemática e não tinha registro no Conselho Regional de Biomedicina para atuar na área.
Denúncias que deram origem à investigação
O inquérito policial teve início após cerca de dez pacientes procurarem a Polícia Civil para denunciar complicações graves decorrentes de procedimentos estéticos realizados por Hozana.
Segundo as investigações, as vítimas relataram deformidades, necroses, infecções, lesões corporais, problemas cardíacos e internações hospitalares após cirurgias e aplicações estéticas. Algumas afirmaram que precisaram passar por procedimentos reparadores em razão das sequelas deixadas pelos atendimentos.
A polícia também apurou que Hozana se apresentava como biomédica para conquistar a confiança dos clientes, utilizando documentos que seriam falsificados. Conforme o delegado responsável pelo caso na época, a instituição de ensino citada pela investigada informou que ela nunca foi aluna do curso de Biomedicina, e o Conselho Regional de Biomedicina confirmou que ela não possuía registro profissional.
Crimes investigados
Em 2022, Hozana passou a responder pelos crimes de:
* estelionato;
* lesão corporal grave;
* falsificação de documento público;
* exercício ilegal da profissão.
As investigações também apontaram que ela oferecia procedimentos estéticos por valores muito inferiores aos praticados no mercado, atraindo pacientes que desconheciam sua falta de habilitação profissional.
Condenação e novas denúncias
Após a prisão de 2022, Hozana foi condenada, em 2024, a sete anos e dez meses de reclusão, em regime semiaberto.
Segundo o delegado Mauro Duarte, mesmo após a condenação, novas vítimas registraram boletins de ocorrência relatando situações semelhantes às investigadas anteriormente. De acordo com a Polícia Civil, essas pessoas afirmaram ter sofrido deformidades, lesões corporais e outras complicações após procedimentos estéticos realizados pela investigada.
As novas denúncias motivaram a representação por outro mandado de prisão e de busca e apreensão, cumpridos durante a operação realizada nesta quinta-feira na clínica onde ela atuava, no bairro Flores. Durante a ação, equipamentos utilizados nos procedimentos também foram apreendidos.
Durante a prisão, Hozana negou as acusações. Ela afirmou possuir formação na área estética, documentação regular para funcionamento da clínica e alegou que parte das denúncias seria motivada por insatisfação de clientes e conflitos profissionais. A defesa da investigada poderá apresentar sua versão no decorrer do processo.