
A Polícia Federal deflagrou, nesta terça-feira (13), mais uma etapa da Operação Overclean, ampliando as investigações sobre um suposto esquema criminoso voltado ao desvio de recursos públicos provenientes de emendas parlamentares. A ofensiva ocorre de forma integrada com a Controladoria-Geral da União (CGU) e a Receita Federal do Brasil, demonstrando o esforço conjunto dos órgãos de controle e repressão para combater crimes contra a administração pública.
Segundo informações divulgadas pela própria Polícia Federal, esta é a nona fase da Operação Overclean. Ao todo, foram cumpridos nove mandados de busca e apreensão, todos expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF), instância responsável por autorizar as medidas em razão do possível envolvimento de autoridades com foro por prerrogativa de função. As ações foram concentradas principalmente nos estados da Bahia e no Distrito Federal, regiões consideradas estratégicas para o avanço das apurações.
De acordo com os investigadores, a nova etapa tem como objetivo aprofundar a coleta de provas relacionadas à estrutura financeira e operacional do grupo suspeito. A organização investigada é apontada como responsável por práticas de corrupção, desvio de verbas públicas e lavagem de dinheiro, utilizando mecanismos complexos para ocultar a origem ilícita dos recursos e dificultar a atuação dos órgãos de fiscalização.
As investigações indicam que o esquema pode envolver o direcionamento irregular de emendas parlamentares, com posterior contratação de empresas ou entidades que, em tese, participariam do conluio para o desvio dos valores. Parte dos recursos, segundo a Polícia Federal, teria sido pulverizada por meio de transações financeiras suspeitas, uso de empresas de fachada e movimentações incompatíveis com a capacidade econômica dos investigados.
A participação da CGU tem sido fundamental para a análise técnica da aplicação dos recursos federais, especialmente no que diz respeito à execução orçamentária e à identificação de irregularidades administrativas. Já a Receita Federal atua no rastreamento de movimentações financeiras, apuração de possíveis crimes tributários e identificação de indícios de lavagem de dinheiro.
A Operação Overclean teve início a partir de indícios levantados em fases anteriores, que revelaram um possível padrão de atuação do grupo criminoso ao longo do tempo. Com o avanço das investigações, novas frentes foram abertas, levando à necessidade de sucessivas etapas para aprofundar a responsabilização dos envolvidos e reunir elementos probatórios mais robustos.
A Polícia Federal informou que os materiais apreendidos durante o cumprimento dos mandados — como documentos, dispositivos eletrônicos e registros financeiros — serão analisados e podem subsidiar novas diligências. Não está descartada a deflagração de outras fases da operação, conforme o andamento das investigações e a identificação de novos envolvidos.
Até o momento, a PF não divulgou nomes de suspeitos nem detalhes adicionais sobre valores desviados, em razão do sigilo que ainda recai sobre parte do inquérito. As autoridades ressaltam que todos os investigados têm direito ao contraditório e à ampla defesa, e que as conclusões definitivas somente serão apresentadas ao final do trabalho investigativo.
A nova fase da Operação Overclean reforça o papel das instituições de controle no enfrentamento à corrupção e no acompanhamento do uso de recursos públicos, especialmente aqueles oriundos de emendas parlamentares, que têm grande impacto na execução de políticas públicas em estados e municípios de todo o país.