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Megaoperação Cartório Central cumpre 471 ordens judiciais contra facção criminosa em Primavera do Leste

Investigação revela esquema de banco paralelo abastecido com dinheiro do tráfico, usado para empréstimos ilegais, lavagem de dinheiro e cobrança de dívidas ilícitas

14/01/2026 às 16h12
Por: REDAÇÃO MUNICÍPIOS EM AÇÃO Fonte: Bahuan Taleb
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Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

A Polícia Civil deflagrou, nesta quarta-feira (14), a megaoperação Cartório Central, com o cumprimento de 471 ordens judiciais contra uma facção criminosa com forte atuação em Primavera do Leste. O grupo é investigado por estruturar um complexo esquema financeiro clandestino, funcionando como um verdadeiro “banco paralelo”, alimentado principalmente com recursos oriundos do tráfico de drogas e utilizado para empréstimos ilegais, lavagem de dinheiro e financiamento de atividades criminosas.

De acordo com a Polícia Civil, as ordens judiciais incluem 225 mandados de prisão preventiva, 225 mandados de busca e apreensão domiciliar e 21 medidas de bloqueio e indisponibilidade de valores. As decisões foram expedidas pelo Poder Judiciário após representação da autoridade policial, com base em provas reunidas ao longo de meses de investigação.

As apurações apontam que a facção mantinha um sistema próprio e altamente organizado de arrecadação e circulação de dinheiro. Os investigadores identificaram mecanismos internos de repasse financeiro, controle de entradas e saídas de recursos e cobrança de dívidas ilícitas, tudo à margem do sistema financeiro oficial. O esquema permitia ao grupo não apenas movimentar grandes quantias sem levantar suspeitas imediatas, mas também fortalecer sua estrutura criminosa e ampliar sua influência territorial.

Segundo a polícia, além do tráfico de drogas, a organização impunha regras internas rígidas a seus integrantes e a pessoas ligadas às atividades ilícitas, estabelecendo sanções para inadimplência e descumprimento das determinações da facção. A cobrança de dívidas, muitas vezes realizada sob ameaça ou violência, era uma das principais formas de manter o fluxo constante de recursos para o chamado banco paralelo.

O nome da operação, Cartório Central, faz referência ao controle minucioso exercido pela facção sobre as transações financeiras ilegais. De acordo com os investigadores, o grupo mantinha registros detalhados de valores emprestados, juros cobrados, pagamentos realizados e saldos devedores, em um modelo que imitava práticas do sistema bancário formal, porém voltado exclusivamente para fins criminosos.

As medidas de bloqueio e indisponibilidade de bens e valores têm como objetivo enfraquecer financeiramente a organização, atingindo diretamente o patrimônio acumulado de forma ilícita. A expectativa das autoridades é que o sequestro de recursos dificulte a continuidade das atividades criminosas e impeça a reutilização do dinheiro em novos crimes.

A megaoperação mobiliza um grande contingente de policiais civis, com apoio de unidades especializadas e de forças de segurança de outras regiões, devido ao elevado número de mandados expedidos. As ações ocorrem de forma simultânea para evitar fuga de suspeitos e destruição de provas.

A Polícia Civil destacou que as investigações seguem em andamento e que novas fases da operação não estão descartadas. Os materiais apreendidos durante as buscas, como documentos, aparelhos eletrônicos e registros financeiros, serão analisados para aprofundar a identificação de outros envolvidos e possíveis ramificações do esquema.

As autoridades reforçam que todos os investigados têm direito ao contraditório e à ampla defesa, e que as prisões e demais medidas judiciais fazem parte de um processo legal destinado a combater o crime organizado, desarticular estruturas financeiras ilícitas e restaurar a ordem pública na região de Primavera do Leste.

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