
A Polícia Civil deflagrou, nesta quarta-feira (14), a megaoperação Cartório Central, com o cumprimento de 471 ordens judiciais contra uma facção criminosa com forte atuação em Primavera do Leste. O grupo é investigado por estruturar um complexo esquema financeiro clandestino, funcionando como um verdadeiro “banco paralelo”, alimentado principalmente com recursos oriundos do tráfico de drogas e utilizado para empréstimos ilegais, lavagem de dinheiro e financiamento de atividades criminosas.
De acordo com a Polícia Civil, as ordens judiciais incluem 225 mandados de prisão preventiva, 225 mandados de busca e apreensão domiciliar e 21 medidas de bloqueio e indisponibilidade de valores. As decisões foram expedidas pelo Poder Judiciário após representação da autoridade policial, com base em provas reunidas ao longo de meses de investigação.
As apurações apontam que a facção mantinha um sistema próprio e altamente organizado de arrecadação e circulação de dinheiro. Os investigadores identificaram mecanismos internos de repasse financeiro, controle de entradas e saídas de recursos e cobrança de dívidas ilícitas, tudo à margem do sistema financeiro oficial. O esquema permitia ao grupo não apenas movimentar grandes quantias sem levantar suspeitas imediatas, mas também fortalecer sua estrutura criminosa e ampliar sua influência territorial.
Segundo a polícia, além do tráfico de drogas, a organização impunha regras internas rígidas a seus integrantes e a pessoas ligadas às atividades ilícitas, estabelecendo sanções para inadimplência e descumprimento das determinações da facção. A cobrança de dívidas, muitas vezes realizada sob ameaça ou violência, era uma das principais formas de manter o fluxo constante de recursos para o chamado banco paralelo.
O nome da operação, Cartório Central, faz referência ao controle minucioso exercido pela facção sobre as transações financeiras ilegais. De acordo com os investigadores, o grupo mantinha registros detalhados de valores emprestados, juros cobrados, pagamentos realizados e saldos devedores, em um modelo que imitava práticas do sistema bancário formal, porém voltado exclusivamente para fins criminosos.
As medidas de bloqueio e indisponibilidade de bens e valores têm como objetivo enfraquecer financeiramente a organização, atingindo diretamente o patrimônio acumulado de forma ilícita. A expectativa das autoridades é que o sequestro de recursos dificulte a continuidade das atividades criminosas e impeça a reutilização do dinheiro em novos crimes.
A megaoperação mobiliza um grande contingente de policiais civis, com apoio de unidades especializadas e de forças de segurança de outras regiões, devido ao elevado número de mandados expedidos. As ações ocorrem de forma simultânea para evitar fuga de suspeitos e destruição de provas.
A Polícia Civil destacou que as investigações seguem em andamento e que novas fases da operação não estão descartadas. Os materiais apreendidos durante as buscas, como documentos, aparelhos eletrônicos e registros financeiros, serão analisados para aprofundar a identificação de outros envolvidos e possíveis ramificações do esquema.
As autoridades reforçam que todos os investigados têm direito ao contraditório e à ampla defesa, e que as prisões e demais medidas judiciais fazem parte de um processo legal destinado a combater o crime organizado, desarticular estruturas financeiras ilícitas e restaurar a ordem pública na região de Primavera do Leste.