
Rio de Janeiro (RJ) – A diretora do Instituto Penal Oscar Stevenson, Graça Maria Silva de Souza, foi presa em flagrante suspeita de desviar alimentos destinados às mulheres privadas de liberdade e aos servidores da unidade prisional feminina, localizada em Benfica, na zona norte do Rio de Janeiro.
O caso veio à tona após uma denúncia sobre possíveis irregularidades na destinação dos mantimentos. Durante uma fiscalização, agentes da Secretaria de Estado de Polícia Penal (Seppen) encontraram aproximadamente 70 quilos de alimentos no porta-malas do carro conduzido pela diretora.
Entre os produtos apreendidos estavam carnes, frango, peixe, linguiça, queijos, frutas, óleo, leite, café e achocolatados. Segundo as informações divulgadas pelas autoridades, os itens foram retirados do presídio sem notas fiscais, autorização administrativa, termo de saída ou outros documentos que justificassem o transporte.
Graça Maria foi encaminhada à 21ª Delegacia de Polícia, em Bonsucesso, e autuada por suspeita de peculato, crime que consiste, entre outras condutas, no desvio de bens públicos por funcionário que tem acesso a eles em razão do cargo.
Na quinta-feira (22), a Justiça converteu a prisão em flagrante em preventiva, após pedido do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ). A medida mantém a investigada presa enquanto o caso segue sob apuração. Ela também foi exonerada da função, e a Polícia Penal instaurou um Processo Administrativo Disciplinar (PAD).
Alimentos que deveriam abastecer o presídio
A suspeita é de que os mantimentos retirados irregularmente seriam destinados à alimentação das internas e dos profissionais que trabalham na unidade. A retirada sem autorização levantou questionamentos sobre o uso de bens públicos por uma servidora que ocupava um cargo de direção.
Informações divulgadas por veículos de imprensa apontam que Graça Maria teria alegado que os alimentos não seriam mais consumidos no presídio e que pretendia doá-los a um centro espírita. No entanto, não foram apresentados documentos que comprovassem autorização para a retirada dos produtos.
Até o momento, não há confirmação pública de que essa tenha sido a primeira ocorrência desse tipo envolvendo a diretora, nem informações conclusivas sobre a existência de outros desvios. A investigação deverá esclarecer as circunstâncias do caso e apurar eventuais responsabilidades.
A acusação ainda será analisada pela Justiça, e a investigada tem direito à presunção de inocência.